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Coronavírus: consequências da epidemia no plano internacional

  • dri2014
  • Mar 8, 2020
  • 6 min read

Em voga na mídia desde meados do fim de dezembro de 2019, o coronavírus vem tomando as manchetes dos jornais em todo o globo. Mas o que de fato é o coronavírus e como surgiu a mais recente epidemia mundial? Coronavírus nada mais é que o nome de uma família de vírus, conhecida desde os anos 1960, que têm uma estrutura em formato de coroa.

A mutação que provocou este último surto, de origem chinesa, se trata do vírus SARS-CoV-2, que está causando a doença até o momento denominada com a sigla inglesa de COVID-19 (coronavirus disease 2019). Este novo vírus e a doença eram desconhecidos até seu aparecimento em Wuhan, capital e maior cidade da província de Hubei, na China.

De acordo com as autoridades chinesas, o SARS-CoV-2 se espalhou inicialmente por meio do contato entre pessoas e animais silvestres em um mercado de frutos do mar na cidade de Wuhan, onde eram vendidos também morcegos, que podem ser portadores do coronavírus mesmo sem apresentar quaisquer sintomas, devido ao seu sistema imunológico capaz de se adaptar à presença desses.

Entretanto, evidências fortes apontam que o coronavírus tenha escapado do laboratório Level 4, o único laboratório de microbiologia da China, que realiza testes em morcegos para estudar sua resistência a diversos vírus, e, coincidentemente está localizado em Wuhan, epicentro da pandemia. Aproximadamente um mês antes do primeiro surto surgir, o Instituto de Virologia de Wuhan publicou um anúncio de emprego à procura de profissionais com pós-doutorado em ciências ou biomedicina para especificamente usarem "morcegos para pesquisar o mecanismo molecular que permite que os coronavírus associados ao Ebola e à SARS permaneçam inativos por um longo tempo sem causar doenças".

Esse anúncio foi publicado no mesmo laboratório em que o Doutor Peng Zhou trabalha. Ele estava realizando engenharia genética com morcegos de cobaia para torná-los mais ou menos suscetíveis à infecção, criando potencialmente um supervírus mutante altamente resistente. O trabalho de Peng sobre virologia e imunologia de morcegos recebeu ainda apoio do Fundo Nacional "You Qing", que é o projeto piloto da Academia Chinesa de Ciências e o principal projeto do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Somado a isso, incoerências no genoma do coronavírus põem em cheque afirmações que sugerem que as mutações ocorreram de forma natural, visto que pesquisadores tailandeses acreditam ter encontrado uma sequência de código genético que não estava presente em outras linhagens de coronavírus, mas que se assemelham a algumas cepas encontradas no RNA do vírus HIV, que pertence a uma família totalmente diferente de vírus. Inclusive, o SARS-CoV-2 mostrou resultados positivos quando combatido com medicamentos usados no tratamento do HIV e da gripe comum.

Além disso, o principal especialista em guerra biológica do Exército de Libertação Popular, o major-general Chen Wei, foi enviado a Wuhan no final de janeiro para ajudar no esforço de conter o surto. Essa proximidade e semelhança com o HIV, junto a esses fatos, demonstram fortes indícios de engenharia biológica sendo utilizada com intuito de se desenvolver uma arma biológica com alto nível de contágio.

Atualmente (07/03/2020), de acordo com o Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas (CSSE) da Universidade Johns Hopkins, já foram confirmados em todo o mundo 105.479 casos da doença no total; desses, 58.354 se recuperaram e 3.555 pessoas vieram a óbito. No Brasil foram confirmados 13 casos, 2 desses por transmissão local para um amigo e um familiar de um acometido que havia viajado ao exterior, porém já são 768 casos suspeitos em todo o país.

A rápida propagação do vírus tem atingido o mundo em vários aspectos. Patologias infecciosas afetam de maneira muito negativa dados macroeconômicos, e não é diferente com o COVID-19. Imagens de ruas extremamente movimentadas fazem parte do cotidiano chinês, no entanto, nos últimos meses, após Xi Jinping declarar quarentena, grandes centros como os de Pequim e Xangai tornaram-se praticamente cidades fantasmas.

Supermercados desabastecidos ou fechados são cena comum por todo o país. Acostumada com uma atividade econômica intensa, a baixa na circulação de pessoas prejudicou os setores de bens de consumo e manufaturas, que também tiveram a maior queda no mercado de ações. Por outro lado, empresas da área de saúde aumentaram cerca de 10% em suas vendas. Dados recentes mostram que o índice da bolsa de Xangai fechou em queda de 8% até 3 de fevereiro.

O turismo interno e externo também sofreu danos, já que as companhias aéreas suspenderam voos e devem perder US$ 29 bilhões em receita, no total, de acordo com a International Air Transport Association (IATA).

O impacto na Bolsa de Valores de Nova York paralisou a atividade de grandes corporações como a Amazon, a Google e a Microsoft, em seus escritórios na China, Taiwan e Hong Kong. Starbucks e McDonald’s também fecharam temporariamente quase todas as suas filiais. A cidade marco zero do vírus, Wuhan, sede de várias montadoras multinacionais, é destaque no mercado automotivo chinês, contudo, as vendas de carros caíram 92% em fevereiro, segundo a China Passenger Car Association.

De acordo com projeções de economistas do governo chinês, é esperado que a taxa de crescimento econômico da China reduza-se em 4,5% no primeiro trimestre deste ano. E com base na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a economia mundial, atualmente, cresce a passos curtos, o que não acontecia desde 2009.

A emergência chinesa também afeta o Brasil, já que a China é a maior parceira comercial do país. Conforme divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, além de atrasos nas exportações para o país asiático, foi registrado um déficit de US$ 1,745 bilhão na balança comercial brasileira em janeiro, resultando em uma queda de 3% nas exportações.

Também considerada uma crise de segurança internacional, a disseminação do coronavírus deve ser levada em consideração pelos formuladores de políticas dos Estados. A administração do governo Donald Trump, por exemplo, vem adotando medidas nesse sentido, impedindo a entrada na América de qualquer estrangeiro que viajou para a China. Ao reconhecer os riscos para os membros do Departamento de Defesa distribuídos em todo o mundo, a porta voz do Departamento mencionou a preocupação com os perigos de dispersão da doença nas bases militares e no país. Nesse contexto, as Forças Armadas têm proibido a viagem de membros do serviço para a China Continental e Coreia do Sul.

Nesse contexto de incerteza, a demanda por informações é intensa. Objetivando responder algumas incógnitas e espalhar dados seguros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu uma iniciativa de comunicação chamada WHO Network for Information in Epidemics (EPI-WIN). Através dessa rede, a instituição divulga publicamente, a partir de referências atualizadas, informações sobre as tendências dessa epidemia global.

A OMS vem publicando relatórios diários a respeito da situação do COVID-19. Por meio desses relatórios, a organização tem sistematizado e divulgado os dados a respeito da doença, e além de disponibilizá-los, tem providenciado orientações aos Estados Membros sobre a implementação da vigilância global do SARS-CoV-2. O mais recente, Situation Report-45, divulgado dia 5 deste mês, registra contaminação em 85 regiões, além da China, com 14.768 casos confirmados e 267 mortes. A Itália é o estado europeu com maior exposição ao vírus, alcançando um total de 3.089 indivíduos contaminados e 107 falecidos. Já no Oriente Médio, o Irã apresenta o quadro mais alarmante, com 2.922 casos confirmados e 92 mortes. Nos Estados Unidos, até o dia 5, foram 129 contágios e 9 óbitos.

Além dos constantes relatórios técnicos e das orientações aos países, a OMS tem trabalhado fortemente na divulgação de informações ao público geral. A organização lançou ainda, de maneira inusitada, uma conta no TikTok, uma rede social de vídeos curtos que tem viralizado nos últimos tempos, como parte de seus esforços para eliminar desinformação e as fake news on-line acerca do coronavírus.

Em uma coletiva de imprensa diária do COVID-19 no fim de fevereiro, o Diretor-Geral da OMS disse que mais de 20 vacinas estão em desenvolvimento globalmente e várias terapêuticas estão em ensaios clínicos. No entanto, salientou que não é preciso “esperar vacinas e terapias (...) Hoje, existem coisas que todo indivíduo pode fazer para se proteger e aos outros”.

Objetivando encontrar uma cura, os cientistas que, ao rastrearem através do sequenciamento genético a evolução do vírus para entender como contê-lo, descobriram semelhanças à algumas cepas encontradas do vírus HIV, estão agora buscando utilizar tal descoberta em uma possível cura. Casos bem sucedidos de terapias experimentais com medicamentos utilizados contra a AIDS na Espanha e na China apontam que, num futuro próximo, vislumbram-se possibilidades de tratamentos mais eficazes no combate ao patógeno.

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