top of page

A Saga da Espiã Huawei

  • dri2014
  • May 6, 2019
  • 3 min read

Os jogos de espionagem (comercial, industrial, governamental e de segurança) são parte indissociável das relações entre as grandes potências. A China mostrou, porém, que tem uma vantagem considerável: o país é responsável pela produção (ou montagem) de aproximadamente 75% dos celulares e 90% dos desktops comercializados no mundo. Isto possibilita que a China possa comprometer a cadeia de suprimentos para os EUA, manipulando os equipamentos produzidos (conhecido como “hardware hack”). Um caso bem recente ilustra o ponto: descobriu-se que a Amazon e a Apple, entre outras 30 empresas e bancos, estavam usando servidores e motherboards comprometidos com um minúsculo microchip que permitia uma “porta de fundos” para o acesso chinês ao fluxo de informações em computadores, redes e nuvens. A Amazon, por exemplo, usava os servidores para uma nuvem secreta que está construindo para a CIA. A empresa que fabricava os servidores (Elemental) pode ter fornecido também para o Departamento de Defesa norte-americano, a marinha de guerra, e outras agências governamentais.

É nesse contexto que se insere a saga da Huawei, empresa chinesa fabricante de celulares e fornecedora de redes wifi 5G. O 5G da Huawei, que promete ser muito mais veloz e estável, estenderia seu acesso a carros, celulares, computadores, redes e sistemas de informação, tablets, etc, de todos os que estiverem em sua área de abrangência. A tecnologia pode ser aplicada também ao domínio da inteligência virtual e das comunicações militares, integrando rapidamente dados no campo de batalha, automatizando processos e gerenciando cadeias logísticas através da coleta de dados de inteligência. A grande questão é saber se o 5G da Huwaei seria seria mais uma maneira de espionagem não detectada.

A preocupação com o desenvolvimento da rede 5G e o uso de dispositivos da Huawei vai muito além da competição por mercado consumidor e apropriação intelectual, abrangendo o campo da segurança com o possível acesso e desvio de informações confidenciais. Há fortes suspeitas a respeito das práticas da empresa chinesa. Em 2008, por exemplo, ex-funcionários da Motorola já haviam atribuído roubos de segredos comerciais à Huawei. A política do governo chinês é muito simples: empresas estrangeiras que queiram atuar na China devem firmar uma joint venture com uma empresa chinesa local, o que inclui acesso e transferência de tecnologia, pela engenharia reversa, com violação da propriedade intelectual; ou então o governo chinês rouba tecnologia através do hackerismo e a transfere para uma empresa chinesa existente ou criada. É assim que surgiram as empresas gigantes chinesas na área tecnológica.

E se existir uma cooperação da empresa com o governo chinês? Há elementos que permitiriam essa conclusão. Primeiro, toda empresa chinesa, a partir de determinado tamanho, deve ter representantes do Partido Comunista Chinês (isto é, do governo) no staff. Segundo, a Lei de Inteligência Nacional requer que todos os indivíduos e empresas cooperem com os serviços de inteligência do governo na coleta de informação para a segurança do Estado. Terceiro, o fundador da empresa, Ren Zhengfei, já trabalhou no Exército de Libertação do Povo Chinês, a força armada do Partido Comunista.

O governo Trump já não permite que funcionários de seu governo usem os dispositivos da Huawei, alegando problemas de segurança e também o fato de que a companhia ultrapassou as margens de restrições legais ao fazer vendas para o Irã, país que sofre embargos econômicos dos Estados Unidos. A Huawei teve recentemente sua diretora financeira presa no Canadá, pois há pedido de extradição feito pelos Estados Unidos. A extradição se baseia em acusações de fraude bancária, obstrução de Justiça, ameaça ao sigilo de dados, roubo de propriedade intelectual, e violação da lei que impõe embargos econômicos contra o Irã. Ciente da importância da questão, o Presidente Trump tem conclamado as empresas norte-americanas a desenvolverem a tecnologia própria de rede 5G.

A empresa nega com veemência todas as acusações, e a China está pressionando fortemente o governo canadense para lograr a soltura dela. Enquanto isso, os jogos de espionagem e contraespionagem continuam.

  • Facebook Classic
  • Twitter Classic
  • Google Classic
Últimas postagens
Fique sempre a par! Assine a newsletter do Panorama.

Equipe:

Coordenador e Editor do Projeto - Dr. I.M. Lobo de Souza

Pesquisadores e redatores - Ana Clara Lélis; Marcia Maria Da Silva Aguiar; Alicia Delfino Santos Guimarães; Milena Gabriel Costa.

Webdesigner - Caio Ponce de Leon R F , Márcia Maria da Silva Aguiar.

© Copyrights  - Todos os direitos reservados.

Departamento de Relações Internacionais - UFPB
bottom of page