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Os Ciclos Repetidos da História?

  • dri2014
  • Jul 19, 2017
  • 2 min read

Desde a 2014, com a crise na Ucrânia, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), bloco militar, tem identificado abertamente a Rússia como a grande ameaça militar. As consequências dessa definição estratégica logo se traduzem em ações: medidas militares, como o estacionamento de quatro brigadas de combate nos países Bálticos e na Polônia, a adição de novos teatros avançados de operação, como o Mar Negro, e a realização de exercícios militares que adotam como cenário um futuro ataque militar russo. Sobre este último, em junho desse ano (2017) a OTAN efetuou o exercício militar de defesa “Brecha de Suwalki”. O nome da operação se refere a uma faixa territorial estreita de aproximadamente 100 km situada na fronteira entre a Lituânia e a Polônia, e que separa não apenas estes dois países, mas também o território russo de Kaliningrado e a Bielorrússia, país aliado da Rússia (veja mapa acima). Para quem olha no mapa, e especialmente para um bloco militar fixado na pretensa ameaça russa, a importância estratégica dessa brecha é visível: teoricamente, uma ação militar da Rússia a partir de Kaliningrado, com ou sem o apoio da Bielorrússia, poderia isolar os países Bálticos, membros da OTAN, dos demais 26 membros, e sujeitá-los a uma invasão militar russa, começando por Letônia. Neste cenário imaginado, tropas aliadas da OTAN foram mobilizadas para defender e manter aberto a Brecha de Suwalki. Este exercício militar da OTAN pode ter sido também uma mensagem enviada para a Rússia, que se prepara para o seu exercício militar quadrienal a ser realizado em setembro com a Bielorrússia, chamado de “Zapat 2017” (o termo significa “Ocidente”). O exercício, que envolve forças militares em número bem superior ao da OTAN, se efetua a cada 4 anos, e ocorre em território da Bielorrússia. A apreensão dos países da OTAN com relação a esse evento, semeada pelas corporações militares, é manifestada publicamente. Por conseguinte, a mensagem do exercício militar da OTAN na região pretende ser, quando menos, dissuasória: não se atreva a tentar ocupar militarmente essa faixa territorial. A nova ênfase estratégica dada à Brecha de Suwalki pela OTAN representa mais uma confirmação de que estamos na conformação de uma nova Guerra Fria. Durante a antiga Guerra Fria, a OTAN concentrava sua preocupação estratégica numa outra brecha territorial, a de Fulda, que localizava-se perto da fronteira entre a então Alemanha Oriental (pertencente ao Pacto de Varsóvia) e a Alemanha Ocidental (membro do OTAN). Esta área foi historicamente usada pelas forças de Napoleão Bonaparte no século XIX, e posteriormente por forças norte-americanas na invasão da Alemanha Nazista. Ela era considerada, no período, como uma possível rota de entrada para as forças soviéticas numa eventual invasão da Alemanha Ocidental, e, portanto, foi guardada zelosamente por forças da OTAN. Durante a Guerra Fria, havia forte concentração de unidades militares dos dois lados da fronteira próxima à Brecha de Fulda. Hoje, o foco da OTAN repousa em outra brecha territorial: a de Suwalki. Cabe aqui rememorar a notória afirmação de G. Bernard Shaw: “Se a história se repete, e o inesperado sempre acontece, quão incapaz deve o homem ser de aprender da experiência!”

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