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A Nova Velha Guerra Fria

  • dri2014
  • Mar 10, 2016
  • 2 min read

Estamos testemunhando uma tentativa de ressurgimento do velho antagonismo da Guerra Fria. Em seu documento “Acerca da Estratégia da Segurança Nacional da Federação Russa”, publicado no final de 2015, a Rússia classificou a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e os Estados Unidos como uma ameaça à segurança nacional do país. O documento cita, em particular, a expansão desmedida da OTAN, incorporando os países do Leste Europeu, a intensificação das atividades militares da organização, e a transferência de infraestrutura militar para locais próximos das fronteiras da Rússia. Por seu turno, a estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, publicada em janeiro de 2015, repetidamente refere-se à “agressão russa” e assume o compromisso de responder aos compromissos de segurança com os aliados (OTAN) mediante treinamentos, manobras, e uma "presença dinâmica" na Europa do Leste e Central de forma a dissuadir agressões russas futuras.


De fato, os Estados Unidos e a OTAN têm tomado medidas que mostram a disposição de ressuscitar o velho antagonismo e se preparar para uma futura guerra. Eis parte da evidência:

  • Os Estados Unidos conduziram dois testes de mísseis balísticos intercontinentais no período de 7 dias apenas. E o orçamento de defesa proposto pela Administração Obama prevê um aumento de quase 2 bilhões de dólares em armas nucleares.

  • Os Estados Unidos acabaram de transferir para as suas bases na Alemanha mais de 5.000 toneladas de munição, p maior carregamento de armas dos últimos 10 anos. Ao mesmo tempo, um esquadrão de 12 A-10 Thunderbolt foi realocado para a Alemanha.

  • Os Estados Unidos transferiram suas comunicações militares de volta para o complexo militar situado na Montanha Cheyenne, um resquício da Guerra Fria construído para suportar ataques nucleares.

  • Os Estados Unidos pretendem estocar tanques de guerra, veículos blindados e armas pesadas nos países Bálticos (Lituânia, Estônia e Letônia), e em países do Leste Europeu (Polônia, Romênia, Bulgária e Hungria).

  • Os Estados Unidos estão voltando a utilizar um conjunto de cavernas na Noruega (operacionalizadas durante a Guerra Fria) para posicionar tanques de guerra, artilharia e outros equipamentos e armas suficientes para apoiar a ação militar de 15.000 fuzileiros americanos.

Vale mencionar, também, os exercícios militares de larga escala que estão sendo realizados nos dois lados desde o ano passado.


Apesar da repetida acusação de agressão russa, a verdadeira razão para o renascimento do antagonismo OTAN-Rússia é que a organização precisa de um inimigo para justificar sua existência. Desde o fim da Guerra Fria, a OTAN teve de reconsiderar seu conceito estratégico em mais de uma ocasião, e colocar o combate ao terrorismo internacional como um dos objetivos da aliança militar não parecia ser suficiente. Afinal, como explicar os vultosos custos de manutenção da organização e os investimentos pesados na defesa quando o mundo passa por dificuldades econômicas e instabilidade social? A (re)criação de um inimigo comum - a Rússia - justificou a expansão das atividades da organização e, consequentemente, do compromisso financeiro de cada Estado membro com a sua defesa e o orçamento da organização.


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