O Jogo Estratégico da Energia
- dri2014
- May 18, 2015
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Com o conflito na Ucrânia e a deterioração nas relações entre a Ucrânia e a Rússia, esta procura construir um caminho alternativo de transporte de seu gás para a Europa. Gazprom (a empresa de gás russa) projeta a construção de um gasoduto que passaria ao sul da Ucrânia, através do Mar Negro, alcançando a Turquia, e de lá a Grécia, Sérvia, Hungria e finalmente a Áustria, que opera como um centro distributidor para os demais países europeus. O plano russo anterior previa um gasoduto através do território búlgaro, mas o plano foi bloqueado pela União Européia. O presidente da Gazprom esteve recentemente na Grécia, e o Presidente Russo Putin falou ao telefone com o Primeiro-Ministro da Grécia. Em contrapartida ao uso do seu território, a Grécia receberia bilhões de Euros a título de direitos de passagem e descontos sobre o gás utilizado.
A União Européia, porém, procura diversificar seu fornecimento de gás (isto é, reduzir sua dependência do gás russo) financiando um projeto de gasoduto que transportaria gás do Mar Cáspio, a partir de uma zona de exploração que está sob a jurisdição do Azerbaijão, através de uma série de países do Cáucaso, passando então pela Turquia, Grécia até finalmente chegar na Itália (que funcionaria como centro de distribuição). Estimam os Europeus - certo ou erradamente - que vale a pena todo o custo do projeto, bem como os riscos geopolíticos associados com a dependência, para o fornecimento, de um número relativamente grande de países que receberão o gasoduto.
Já se noticiou também que o conflito na Síria envolve o interesse de países do Golfo Pérsico (particularmente Qatar) de transportar gás do Golfo para a Europa através da Síria e da Turquia. O único obstáculo no caminho é o regime de Assad, que precisa ser removido a qualquer custo.
Nessa disputa estratégica na área energética, os Estados Unidos estão trabalhando abertamente contra os interesses russos. O Departamento de Estado norte-americano enviou um representante para a capital grega com a finalidade de dissuadir o governo grego de optar pelo projeto russo e endossar a proposta européia.
O campo energético é, pois, mais uma arena de batalha entre os Estados Unidos e a Rússia.