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Escalada Militar entre Estados Unidos, Israel e Irã Gera Alerta no Cenário Internacional

  • 4 days ago
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Em 28 de fevereiro de 2026, em uma operação conjunta, Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra alvos estratégicos no Irã. Segundo o presidente estadunidense Donald J. Trump, a operação tem como objetivo a eliminação de perigos iminentes provindos do regime iraniano. O presidente ressalta que sempre foi o posicionamento político dos Estados Unidos e, especialmente, de sua administração, que o Irã nunca deverá ter armas nucleares. Ao longo do discurso oficial do presidente, veiculado em sua rede social Truth Social, no mesmo dia, ele afirmou que a ofensiva lançada em parceria com Israel é uma resposta ao crescimento das ambições nucleares iranianas. Segundo Trump, “iremos destruir seus mísseis e demolir completamente sua indústria de mísseis. Ela será obliterada totalmente novamente”. Além disso, o mesmo reforçou que a ofensiva deve ser entendida pelo povo iraniano como sua oportunidade de tomar o governo para si. Segundo o presidente, essa “provavelmente será sua única chance em gerações”. 


A “Operação Rugido do Leão”, segundo o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem como objetivo eliminar a ameaça do regime dos Ayatollahs do Irã. Netanyahu afirma que o regime tem implementado uma vasta rede de terror sobre o mundo, instalando medo entre a população — o Primeiro-Ministro aponta a repressão violenta cometida pelo regime de Teerã contra seus cidadãos como prova — e contribuido para a continuação de grupos terroristas em Gaza, no Líbano, no Iraque e em outros territórios da região. O ataque priorizou instalações associadas à Guarda Revolucionária, bem como àquelas voltadas ao programa nuclear. A mudança de regime, segundo Netanyahu, não seria “o objetivo, mas certamente o resultado”.


A resposta iraniana se deu logo em seguida, em que foram promovidos ataques com drones e mísseis contra o território israelense e demais instalações de cunho militar, associadas aos Estados Unidos, presentes na região do Oriente Médio. Foram alvos do contra-ataque países historicamente aliados aos norte-americanos na região, a exemplo de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, o que proporcionou um aumento expressivo da escala do conflito.  


Em reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), convocada no dia dos primeiros ataques, o representante iraniano Amir Saeid Iravani caracterizou as empreitadas militares promovidas contra seu país como “uma guerra contra a Carta das Nações Unidas” e uma violação aos princípios do Direito Internacional e ao ordenamento jurídico basilar à formação do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU) de governança global. Além disso, Iravani afirma que Irã está disposto a respeitar a soberania de seus vizinhos no Oriente Médio, ressaltando, ainda, o direito do Estado à legítima defesa. Na ocasião, o representante também apontou as agressões como um “crime de guerra e um crime contra a humanidade”.


Na última segunda-feira (9 de março de 2026), após a eleição do novo Ayatollah Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo do país que possui apoio considerável da Guarda Revolucionária, o governo iraniano descartou a possibilidade de cessar-fogo enquanto ainda houver ofensivas militares norte-americanas e israelenses.  Somado a isso, o diplomata iraniano Esmail Baghaei afirmou que o interesse dos Estados Unidos com os ataques seria a obtenção e controle do petróleo iraniano, e, ainda, apontou que a consolidação da conjuntura atual do conflito teve influência direta de alguns países europeus, responsabilizando países como a França por viabilizar condições que facilitaram as empreitadas dos EUA e de Israel. 


Em um pronunciamento conjunto o chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente francês Emmanuel Macron anunciaram seu descontentamento à reação iraniana frente à ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, que tiveram como alvos bases militares inimigas, mas, também outros aliados ocidentais, como Dubai. Os representantes anunciaram um possível apoio militar defensivo com o objetivo de destruir as capacidades de reação iraniana. Apesar do apoio destes representantes, outros líderes nacionais, como o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchéz, têm ressaltado que a ofensiva é “imprudente e ilegal”. Sanchéz negou aos Estados Unidos a permissão para o uso de bases militares em seu território na ofensiva contra o Irã. 


Além disso, países aliados ao governo iraniano também se pronunciaram em relação aos ataques. Representantes tanto do governo chinês quanto do governo russo condenaram as ofensivas promovidas por Estados Unidos e Israel, caracterizando-as como violações ao Direito Internacional. Nesse cenário, o ministro das relações exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que a Rússia está auxiliando o país “em diversas direções”, incluindo cooperação estratégica e possível compartilhamento de inteligência entre os dois países. A China, por sua vez, apresentou uma postura mais pragmática e diplomática, afirmando apoiar o Irã na proteção de sua integridade territorial e sua soberania. Araghchi ressaltou a parceria entre os dois países, garantindo que fará “todo o possível” para proteger os cidadãos chineses presentes em território iraniano.


Paralelamente, o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou a ofensiva contra o Irã, assim como as retaliações iranianas contra países do Golfo. Guterres declarou que a escalada militar coloca em risco a paz regional e internacional e reitera que os membros da Organização têm obrigações quanto ao respeito ao direito internacional e a Carta da ONU, que proíbe “a ameaça e uso de força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado”.


Ben Saul, rapporteur especial das Nações Unidas sobre a promoção dos direitos humanos e “contraterrorismo”, reafirma que as ofensivas ocidentais não são ações de autodefesa e não foram autorizadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Dessa forma, à luz dos princípios expostos na Carta das Nações Unidas, ordenamento jurídico fundamental para a organização, e no Direito Internacional, o uso da força pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã pode ser entendido como ilegal.

 
 
 

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